Ruínas do Abarebebê

Um dos pontos de visitação turística do
litoral paulista é o outeiro de São João Batista, sobre o qual estão os
poucos restos da igreja do mesmo nome.
Seu significado histórico e cultural é de primeira magnitude para o trecho do
litoral entre São Vicente e Cananéia, pois constituiu, em conjunto com
Itanhaém,
ponto ativo de aldeamento, catequese e disseminação da Doutrina, marco do
poder português e ainda pouso e abastecimento de viajantes.
O conjunto é conhecido nas imediações por Convento Velho, e em outros
círculos pelo nome de Ruínas do Abarebebê, designação que vai se impondo
sobre aquela.
Abarebebê - padre voador - é o apelido indígena dado ao Padre Leonardo Nunes
S.J., que se destacou como incansável missionário, e que dava aos indígenas a
impressão de estar ao mesmo tempo em diverso lugares. Foi um dos mais ativos
missionários da Companhia de Jesus e sua atividade, apesar de concentrada em
São Vicente, se desenvolveu da Bahia até Santa Catarina. Essa atividade
extraordinária de Leonardo Nunes mereceu de seus contemporâneos um carinho
especial que foi transmitido à posteridade nas lendas que envolvem seu nome.
No
período colonial os Jesuítas
percorrendo as praias de São Vicente à
Iguape, dividiam as jornadas em etapas,
segundo as condições atmosféricas,
permitissem aliada as condições físicas
dos viajantes.
De São Vicente à Itanhaém as jornadas a pé eram menos cansativas,
pela inexistência de obstáculos naturais, senão os grandes rios.
Entretanto, de Itanhaém à Iguape os acidentes geográficos aumentaram
com o aparecimento de morros que se estendiam até o mar impedindo ou
dificultando as marchas, obrigando então a paradas para recuperação
física originando dai a formação de núcleos.
O Colégio São João Batista, construído
em argamassa, granito em cadinhos de
barro, teve estilo barroco mais para rústico
como era costume da época. Não é obra
de beleza arquitetônica, pois foi
construído por índios convertidos.
Nos primeiros tempos da colonização até
o ano de 1560, os Jesuítas ergueram três
templos na então Capitania de São
Vicente Dois deles desapareceram sem
deixar vestígios; o da praia de Peruíbe,
já tem mais de quatros séculos.
Suas paredes superpostas permanecerem pé,
ainda que arruinadas e maltratadas pelo
peso dos anos, permitindo uma visão
daquilo que teria sido o conjunto: uma
igreja com cerca de dez metros de
comprimento por cinco de largura, com um
aposento ao seu lado esquerdo, onde
deveria ser o claustro dos missionários.
Sua localização no alto do único
morro existente nas imediações à 700
metros da praia deixa bem evidente a necessidade de
defesa contra os possíveis ataques dos
indígenas impressão que é confirmada
pela espessura das paredes e pelas
janelas em forma de seteiras que ainda
se notam.
Do ponto de vista estratégico, aliás,
a escolha não poderia ser melhor. O
outeiro não é muito elevado, mas
permite uma excelente visão da baixa
litorânea que o cerca.
Anchieta promovendo
a catequese dos índios tupis e tapuias.
Batizou os primeiros índios
catequizados, na Capela.
O grande historiador e pintor Benedito Calixto registrou em um de seus
trabalhos a pia batismal. Observando a foto montagem, percebe-se
claramente o local onde encontrava-se.

A pia batismal da Igreja
encontrava-se no Museu Paulista (Museu
do Ipiranga) em São Paulo, atualmente retornou à Peruíbe e o restante dos paramentos estão em Itanhaém e a
imagem de Nossa Senhora foram entregues para a diocese de São Vicente.
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Em 1776, graças a José Custódio de Sá e Faria
há um desenho bastante elucidativo da igreja. Nos relatos de sua
viagem à Paranaguá esse militar cita que jantou no convento dos
franciscanos em Itanhaém e teve a oportunidade de conhecer a
Aldeia de São João, continuando seu caminho guiado por
indígenas. |
O Colégio começou a arruinar-se com a
expulsão dos Jesuítas do País, em
1789. O Convento e o aldeamento de indígenas,
ao redor abandonado e dilapidado por
lenhadores e tiradores de palmito.
Mas várias
urnas funerárias foram encontradas nas
imediações das Ruínas, ao redor da
sepultura da indiazinha Ariú, onde os
indígenas sepultaram outras Princesas,
Pajés e Caciques.
Estas sepulturas foram cobertas por
ostras, seguindo um costume antigo entre
os indígenas, produzindo sambaquis que
permitiram a conservação dos objetos
até os nossos dias.
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Em 1910 o grande Benedito Calixto registrou na tela
as condições das ruínas. |
Durante muito tempo as Ruínas do Aberebebê, estiveram tomadas pelo mato
e escondia dos olhos dos turistas.
Somente os moradores das redondezas
sabiam de sua existência, e em torno
dela criou-se uma lenda de que os Jesuítas
haviam deixado um tesouro oculto entre
as pedras.
Com isso muita gente começou procurar
as Ruínas para fazer escavações ou
retirar pedras das paredes em busca de
peças de ouro de inestimável valor. O
resultado dessa "corrida do
ouro", foi que quase acabaram com o
que restava da Igreja, arruinando-a
ainda mais.
| Conforme a documentação iconográfica é
possível ter-se uma noção como as Ruínas do Abarebebê estavam
no ano de 1945 - Autor Fragatti (Milton Fraga Moreira) |
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Através da foto de 1959 feita pelo Dr. Geraldo
Russomano, o piso do adro, lageado com pedras redondas encontra-se
coberto pela vegetação, protegendo, de certa forma, as poucas e
danificadas amostras do antigo piso. |
Em 1991, começam escavações arqueológicas pelo MAE –
Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, por constituir uma
das mais raras lembranças do passado
histórico da região e por possuírem
sambaquis valiosíssimos.
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Nos trabalhos de escavação iniciados em 1992 foram
encontrados fragmentos de prato faiança portuguesa, fragmentos de
vasilhame cerâmico decorado com aplique, tijolos, ladrilhos e telhas e
amostras de cravos de ferro batido, indica terem sido fixados nas ripas
do telhado.
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As Ruínas do Abarebebê, tombadas pelo CONDEPHAAT e pelo
IBPC e protegida pela Lei Orgânica do Município de Peruíbe situam-se no
Sítio Arqueológico da Aldeia de São João Batista, protegido pela
Constituição Federal, é marco importante da História da colonização do
Brasil.
As Ruínas do Abarebebê estão abertas
à visitação pública e pode-se chegar
ao local por uma estrada que leva às
proximidades da montanha.
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Bibliografia:
SCARANO, J.
Ruínas de Abarebebê. Relatório apresentado ao Conselho CONDEPHAAT, 1973, 23p.
UCHÔA, D.
P. Ruínas do Abarebebê e seu entorno: projeto de preservação. Resumo
apresentado na IV Reunião Científica da SAB, Santos, 1987.
BASTOS, Eduardo, - Apostila Abarebebê - Gov. Est. São Paulo, CEPAM -
1985
http://www.iphan.gov.br/bancodados/arqueologico/mostrasitiosarqueologicos.asp?CodSitio=25603
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